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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016


Para fechar este período letivo e abrir o nosso coração para a quadra que se aproxima, aqui ficam uns poemas com ela relacionados em diferentes línguas...


Quando um Homem Quiser

Tu que dormes à noite na calçada do relento
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'


a fava

espero que me calhe aquela fava
que é costume meter no bolo-rei:
quer dizer que o comi, que o partilhei
no natal com quem mais o partilhava

numa ordem das coisas cuja lei
de afectos e memória em nós se grava
nalgum lugar da alma e que destrava
tanta coisa sumida que, bem sei,

pela sua presença cristaliza
saudade e alegria em sons e brilhos,
sabores, cores, luzes, estribilhos...
e até por quem nos falta então se irisa

na mais pobre semente a intensa dança
de tempo adulto e tempo de criança.

Vasco Graça Moura, in 'O Retrato de Francisca Matroco e Outros Poemas' 


Em Francês...

Ce Noël, n’ oubliez pas de donner

Avec le sourire et la gentillesse , cadeaux

Au fil du temps briser ou de porter

Mais la bonté et de l'amour , jamais.


Em Inglês...

The warmth and joy of Christmas brings us closer to each other.


Em Espanhol...


"La Navidad.....no es un acontecimiento, sino una parte de su hogar que uno lleva siempre en su corazón." (Freya Stark)


Natal

No Natal há magia,
Muita alegria,
Crianças a sonhar
E o Pai Natal a chegar.

Debaixo da árvore
Abrem-se os presentes
E as famílias reunidas
Estão todas contentes.

Prendas e prendinhas
Sacos e saquinhos
Tudo canta
Para aquecer os corações.

Neste Natal
Eu vou oferecer
O meu coração
A quem o merecer.

Joana Fã, Mariana Tremoceiro 9ºB FEM

Natal

O Natal não é nada mau
Especialmente pelo bacalhau
Sorrisos em todos os rostos
Todos os anos, neste dia postos.

A árvore vamos montar
As luzes vamos ligar
Juntos vamos cantar
E o Natal festejar.

Vicente e Filipe 9º B FEM

Natal

Natal
Época de alegria
Época de festejos
Tempo de magia.

Natal
Dia do menino nascer
Tocam os sinos
Luzes a acender.

No Natal
Une-se a família
Aparece no ar
A desejada fantasia.

José Mendes, José Freitas e Cristiano Vieira- 9ºB FEM

Natal

Natal é tempo de amor
Aconchego e muita luz
Momentos de alegria
Pois, comemoramos o nascimento de Jesus.

Filipa Carmo e Sara Conceição 9º B FEM

Natal

A árvore montar
O jantar preparar
A família acolher
Para em conjunto comer.

Como é Natal
Vamos todos festejar
As luzes a piscar
E os presentes trocar.

Inês e Rafael 9º B FEM

Natal

No Natal, lareira acesa
Bacalhau no forno
Peru na mesa.

A família junta-se
Trocam-se presentes
Laços e embrulhos cobrem o chão
Risos, comida e muita paixão.

Azevinho nas portas
Pinheiros reluzentes
Fazem-se tortas,
Miúdos riem e espalham alegria...

Maria Guerra e Mário Valeriano 9º B FEM

Natal

No início de dezembro
As prendas são compradas
Para na noite de Natal
Serem desembrulhadas

No dia de Natal
A família está reunida
Uns perto da árvore
Outros perto da comida.

Anita e Beatriz 9º B FEM








terça-feira, 24 de maio de 2016


Uma vez que se aproxima mais um final de ano letivo, aqui ficam alguns poemas cuja temática é a despedida, é a nossa forma de dizer "Até breve"...

Não chore nas despedidas,pois elas constituem formalidades obrigatórias
para que se possa viver uma das mais singulares emoções da vida: O reencontro.
Richard Bach


Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa

    Despedida


Três modos de despedida

Tem o meu bem para mim:

- «Até logo»; «até à vista»:

Ou «adeus» – É sempre assim.

«Adeus», é lindo, mas triste;
«Adeus» … A Deus entregamos
Nossos destinos: partimos,
Mal sabendo se voltamos.

«Até logo», é já mais doce;
Tem distancia e ausência, é certo;
Mas não é nem ano e dia,
Nem tão-pouco algum deserto.

Vale mais «até à vista»,
Do que «até logo» ou «adeus»;
«À vista», lembra, voltando,
Meus olhos fitos nos teus.

Três modos de despedida
Tem, assim, o meu Amor;
Antes não tivesse tantos!
Nem um só… Fora melhor.

António Correia de Oliveira, in 'Antologia Poética

terça-feira, 8 de março de 2016

Iemanjá - Divindade Feminina

Mulher Inspiradora

Mulher, não és só obra de Deus; 
os homens vão-te criando eternamente 
com a formosura dos seus corações, 
e os seus anseios 
vestiram de glória a tua juventude. 

Por ti o poeta vai tecendo 
a sua imaginária tela de oiro: 
o pintor dá às tuas formas, 
dia após dia, 
nova imortalidade. 

Para te adornar, para te vestir, 
para tornar-te mais preciosa, 
o mar traz as suas pérolas, 
a terra o seu oiro, 
sua flor os jardins do Verão. 

Mulher, és meio mulher, 
meio sonho. 

Rabindranath Tagore,  (India, 7 de Maio de 1861 - 7 de Agosto de 1941)  
Poema da obra "O Coração da Primavera" traduzido por Manuel Simões 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Amor...Felicidade...em todos os dias se procura

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
Mario Quintana QUINTANA, Mário. Espelho mágico. Ed. Globo. 2005.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Tratado geral das grandezas do ínfimo


A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.
Manuel Barros (1916-2014)

Faleceu recentemente o poeta brasileiro Manuel Barros. 
Aqui deixamos um tributo à sua memória.
O melhor tributo que podemos fazer a um escritor é ler e divulgar as suas palavras.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Cecília e os cavalinhos de Deli

Voa, Cecília, voa com as tuas asas de vento,
seguindo o rasto nocturno dos cavalinhos de Deli,
nesse galope que te leva até à fonte mais secreta
dos sonhos da infância, dos diamantes da memória.

Voa, Cecília, voa com esse vagar de menina,
tecendo a seda dos versos com o carinho
das palavras encantadas, com o rumor
dos sentimentos que a alma oculta em si.

Voa, Cecília, voa por essas Índias sonhadas
onde o mistério das cores se confunde
com o dos livros ainda por escrever
e leva contigo os cavalinhos de Deli,
irmãos dos poetas e dos encantadores de sombras
que se tornam cúmplices da luz
sempre que acordamos, sôfregos de som,
com um destino inteiro por cumprir,
assim como quem canta, assim como quem vive.

Poema de José Jorge Letria (poeta português) dedicado a Cecília Meireles (poetisa brasileira).

Este poema foi retirado de um livro de poesia que existe na nossa biblioteca. Chama-se Poemas e com Animais e está à espera que tu lá vás ler mais.

Podes também pesquisar sobre Deli para perceber porque esta cidade, sendo real, aparece como um lugar mágico.

Boas leituras!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta. 
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus
[braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Da Felicidade

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!


Mário Quintana

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Regresso à Poesia



Estamos de volta!
A segunda-feira é o dia de renovarmos os nossos votos com a semana de trabalho que devemos encarar também de forma poética.
Tentaremos sempre ter algo de novo para o início das tuas semanas!
Contamos contigo para produzir e divulgar as Palavras da Poesia.

E como todos temos fases...aqui fica um poema sobre tal.

LUA ADVERSA


Tenho fases, como a lua 
Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha. 

Fases que vão e vêm, 
no secreto calendário 
que um astrólogo arbitrário 
inventou para meu uso. 

E roda a melancolia 
seu interminável fuso! 
Não me encontro com ninguém 
(tenho fases como a lua...) 
No dia de alguém ser meu 
não é dia de eu ser sua... 
E, quando chega esse dia, 
o outro desapareceu...



Cecília Meireles

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Filosofia do sucesso


Se você pensa que é um derrotado,
você será derrotado.
Se não pensar “quero a qualquer custo!”
Não conseguirá nada.
Mesmo que você queira vencer,
mas pensa que não vai conseguir,
a vitória não sorrirá para você.

Se você fizer as coisas pela metade,
você será fracassado.
Nós descobrimos neste mundo
que o sucesso começa pela intenção da gente
e tudo se determina pelo nosso espírito.

Se você pensa que é um malogrado,
você se torna como tal.
Se almeja atingir uma posição mais elevada,
deve, antes de obter a vitória,
dotar-se da convicção de que
conseguirá infalivelmente.

A luta pela vida nem sempre é vantajosa
aos fortes nem aos espertos.
Mais cedo ou mais tarde, quem cativa a vitória
é aquele que crê plenamente
Eu conseguirei!
Napoleon Hill

sexta-feira, 22 de março de 2013

Dia da Poesia

"O poeta não quer duplicar o mundo
não quer fazer dele uma cópia:

...
 Luta com a palavra
como Jacob lutou com o anjo
mas a escada que ele sobe
conduz a outras alturas
a outras planuras

É assim que o poeta
palavra por palavra
como pedra sobre pedra
constrói o edifício do poema

E a sua mão
robótico instrumento comandado
pela algébrica lógica do sentido oculto
produz
deve produzir
o que o mundo não tem
o que o mundo não diz
o que o mundo não é."
 

ANA HATHERLY, in A IDADE DA ESCRITA (Ed. Tema, 1998)

quinta-feira, 21 de março de 2013

Pus o meu sonho num navio

Aqui fica um bonito poema sugerido por Tânia Palma do 8º C.

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois, abri o mar com as mãos
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
cobre as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite curva-se de frio,
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quando for preciso,
para fazer com que o mar cresça
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras,
e as minhas mãos quebradas.

Cecília Meireles

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Carnaval


Com os teus dedos feitos de tempo silencioso,
Modela a minha mascara, modela-a…
E veste-me essas roupas encantadas
Com que tu mesmo te escondes, ó oculto!
Põe nos meus lábios essa voz
Que só constrói perguntas,
E, à aparência com que me encobrires,
Dá um nome rápido, que se possa logo esquecer…
Eu irei pelas tuas ruas,
Cantando e dançando…
E lá, onde ninguém se reconhece,
Ninguém saberá quem sou,
À luz do teu Carnaval…
Modela a minha mascara!
Veste-me essas roupas!
Mas deixa na minha voz a eternidade
Dos teus dedos de silencioso tempo…
Mas deixa nas minhas roupas a saudade da tua forma…
E põe na minha dança o teu ritmo,
Para me conduzir…
 Cecília Meireles

Fantasia
que é fantasia, por favor?
Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?
Ou antes, e principalmente,
brinquedo sigiloso, tão íntimo,
tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
que ninguém percebe, e todos os dias
exibo na passarela sem espectadores?
 Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


De Luís Vaz de Camões
Jamais haverá ano novo,
se continuar a copiar os erros dos anos velhos.

De Carlos Drummond de Andrade

Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

De Miguel Torga
Recomeça…
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
 De Fernando Pessoa

Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas,
que já tem a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia: e,
se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos.
.

                  Ano Novo

Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas buzinas
Todos os tambores
Todos os reco-recos tocarem:
- Ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança
E em torno dela indagará o povo:
- Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes?
E ela lhes dirá
( É preciso dizer-lhes tudo de novo )
Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam:
- O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA …

Mário Quintana