quinta-feira, 22 de abril de 2010

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.



eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.



Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.



Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.



In Movimento Perpétuo, 1956, António Gedeão

PARA QUE NÃO ESQUEÇAS ABRIL

Todos os anos têm um mês de Abril e todos os meses de Abril têm um dia 25. Porém, o dia 25 de Abril de 1974 foi um dia especial para os Portugueses. Porquê? Porque o País e os seus habitantes voltaram a viver em liberdade, depois de quase cinquenta anos de trsiteza e de silêncio.
in O 25 de Abril contado às crianças... e aos outros de José Jorge Letria

Esta semana celebrou-se na nossa escola a Semana da Leitura, tendo como tema " ler em liberdade"; para acompanhar esta celebração aqui ficam alguns poemas alusivos a este assunto. Usa a tua liberdade para ler e escrever!

domingo, 18 de abril de 2010

Amar

Puseste-me a pensar
Será que vale a pena amar?
Começo a imaginar…
Divagar…

A razão do meu pensar
Depois descobri
Que era por te amar!
O meu coração eu te abri!

Com o nosso primeiro olhar
Respondeste-me com um beijo
E foi ai que te comecei a adorar!
E desde então desejo…

P'ra isto nunca mais acabar
Espero não ter de sofrer
Por te amar
Porque ai, eu não te queria ter!

Então, será que vale a pena amar?
Se sim ou não
Terão de ser vocês a procurar
A resposta e verão…


(Elisa)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Poesia

A poesia é mais que um aglomerado
de palavras, sentimentos e ideias
é uma forma de expressar sem sigificado
para alguns é um dom que lhes corre nas veias.

Há quem escreva por puro divertimento,
e há quem a use para se declarar...
para muitos muitos, escrever versos é uma perda de tempo,
para outros é mais fácil escrever do que falar.

Na poesia a imaginação
não tem limites, nem barreiras...
uns escrevem com o coração,
outros recorrem à fantasia das fadas e sereias.

No mundo há pessoas que usam esta forma de expressar
apenas quando estão tristes e a sofrer,
muitas delas usam-na para desabafar,
pois não têm mais ninguém a quem recorrer.

Inês Marques, 9ºD

Poema

Escrever um poema
Pode ser um problema
Por isso inventamos,
Um grande estratagema!

Dizem que não tem que rimar,
Mas para ficar giro
Podemos usar a palavra “amar”
Ou “descansar”…

Engraçado, está isto a ficar
Então vamos continuar a trabalhar
Para que o poema
Possamos melhorar!

Afinal…
Não me parece que seja um problema
Escrever um poema
Só temos de seguir o estratagema!



Elsa Silvestre 8ºD nº8

Como nascem as manhãs

"O fundo dos olhos da noite
guarda silêncios.
Esconde na retina
a menina que corre descalça em campo aberto.
Pálpebras cerradas, a noite emudece.
A menina com medo
faz um furo no escuro com a ponta do dedo.
Cai um pingo de luz.
Amanhece."


Flora Fiqueiredo, (poetisa brasileira)
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segunda-feira, 22 de março de 2010

Plantar uma floresta

Quem planta uma floresta
planta uma festa.

Planta a música e os ninhos,
faz saltar os coelhinhos.

Planta o verde vertical,
verte o verde,
vário o verde vegetal.

Planta o perfume
das seivas e flores,
solta borboletas de todas as cores.

Planta abelhas, planta pinhões
e os piqueniques das excursões.

Planta a cama mais a mesa.
Planta o calor da lareira acesa.
Planta a folha de papel,
a girafa do carrossel.

Planta barcos para navegar,
e a floresta flutua no mar.
Planta carroças para rodar,
muito a floresta vai transportar.
Planta bancos de avenida,
descansa a floresta de tanta corrida.

Planta um pião
na mão de uma criança:
a floresta ri, rodopia e avança.

Luísa Ducla Soares,
A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca, Teorema