A cada minuto que passa me identifico
somente com a maneira de ser desta vida
a cada passo que dou verifico
que estou cada vez mais longe do tiro de partida.
Não é nos meus olhos que está o meu eu
não é no meu interior que está o meu ser
não é por palavras sentidas que a minha alma cresceu
não é por estas lágrimas que eu te vou perder.
Sei que quando anoitecer
os nossos mundos se vão fundir
garanto-te que não é fácil esquecer
cada vez que os nossos olhos se voltam a unir.
Caí na ignorância de me prender
a um sentimento que não consigo suportar
serei eu capaz de viver
sabendo que nunca mais te vou abraçar.
Inês
Este projeto começou na Escola Básica Frei Estêvão Martins, em Alcobaça e destina-se a todos os que veem o mundo através da Poesia. Hoje tem o tamanho do Agrupamento de Cister. Aqui todos os membros da comunidade escolar podem participar, escrevendo (com o seu nome ou usando um pseudónimo), lendo, enviando os poemas preferidos, participando nas atividades... Porque o mundo é mais bonito quando dito com palavras escolhidas!
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Sem Coração
Hoje à noite ouvi contar
a história de alguém que não tem coração
chorei e não consegui acabar
esta triste narração.
Como consegues ser uma pessoa tão fria
eu não mudei mas tu mudaste
nunca te preocupaste com o que eu realmente sentia
apenas com as aparências sempre te importaste.
Nunca saberás por tudo o que passei
sempre a desejar pôr um ponto final
numa história da qual eu não iniciei
mas que não revelo a personagem principal.
O teu sorriso, o teu olhar
era tudo pura camuflagem
não entendo porque me quiseste apanhar
se neste tempo que passou eras um mera miragem.
Inês
a história de alguém que não tem coração
chorei e não consegui acabar
esta triste narração.
Como consegues ser uma pessoa tão fria
eu não mudei mas tu mudaste
nunca te preocupaste com o que eu realmente sentia
apenas com as aparências sempre te importaste.
Nunca saberás por tudo o que passei
sempre a desejar pôr um ponto final
numa história da qual eu não iniciei
mas que não revelo a personagem principal.
O teu sorriso, o teu olhar
era tudo pura camuflagem
não entendo porque me quiseste apanhar
se neste tempo que passou eras um mera miragem.
Inês
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Amigos
Queres saber o que ando a fazer?
Será que estou a ler?
Ou a escrever?
Queres mesmo descobrir?
Então numa viagem vais ter de ir!
Estou no meio do mar,
Ou em Gondomar!
Aposto que vais conseguir!
Neste preciso momento
Estou a escrever,
Possivelmente sobre um monumento,
Ou sobre o lançamento
De um poema que andei a rabiscar!
Nada disso!
O que estou a fazer,
É um poema escrever
Para que vocês possam ler,
E saber, o quão feliz eu estou,
Por vos ter!
Elsa Silvestre, nº7, 9ºD
Será que estou a ler?
Ou a escrever?
Queres mesmo descobrir?
Então numa viagem vais ter de ir!
Estou no meio do mar,
Ou em Gondomar!
Aposto que vais conseguir!
Neste preciso momento
Estou a escrever,
Possivelmente sobre um monumento,
Ou sobre o lançamento
De um poema que andei a rabiscar!
Nada disso!
O que estou a fazer,
É um poema escrever
Para que vocês possam ler,
E saber, o quão feliz eu estou,
Por vos ter!
Elsa Silvestre, nº7, 9ºD
domingo, 14 de novembro de 2010
Segunda-feira
Dois dias...
aqueles dias de suspiro
os dias de descanso
aqueles dias em que a gente,
e não digo exageradamente,
grita profundamente
a felicidade que sente.
Porém,
alguma coisa os atormenta,
alguma coisa experimenta
desafiar esta alegria,
que acaba por ter fim
com a chegada deste dia.
O seu nome é Segunda
que afunda, afunda,
o repouso sentido
numa manhã de Domingo.
Enfim,
mais um dia de preguiça,
mais um dia de trabalho,
mais um dia de estudo,
mas, contudo,
é bom estar de volta
onde pertenço,
onde faço tudo.
ACE
aqueles dias de suspiro
os dias de descanso
aqueles dias em que a gente,
e não digo exageradamente,
grita profundamente
a felicidade que sente.
Porém,
alguma coisa os atormenta,
alguma coisa experimenta
desafiar esta alegria,
que acaba por ter fim
com a chegada deste dia.
O seu nome é Segunda
que afunda, afunda,
o repouso sentido
numa manhã de Domingo.
Enfim,
mais um dia de preguiça,
mais um dia de trabalho,
mais um dia de estudo,
mas, contudo,
é bom estar de volta
onde pertenço,
onde faço tudo.
ACE
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Mas há a vida
Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.
Clarice Lispector (1920-1977)
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.
Clarice Lispector (1920-1977)
Triste Passeio
Vou pela estrada, sozinha.
Não me acompanha ninguém.
Num atalho, em voz mansinha:
"Como está ele? Está bem?"
É a toutinegra curiosa:
Há em mim um doce enleio...
Nisto pergunta uma rosa:
"Então ele? Inda não veio?"
Sinto-me triste, doente...
E nem me deixam esquecê-lo!...
Nisto o sol impertinente:
"Sou um fio do seu cabelo..."
Ainda bem. É noitinha.
Enfim já posso pensar!
Ai, já me deixem sozinha!
De repente, oiço o luar:
"Que imensa mágoa me invade,
Que dor o meu peito sente!
Tenho uma enorme saudade
De ver o teu doce ausente!"
Volto a casa. Que tristeza!
Inda é maior minha dor...
Vem depressa. A natureza
Só fala de ti, amor!
Florbela Espanca (1894-1930)
Não me acompanha ninguém.
Num atalho, em voz mansinha:
"Como está ele? Está bem?"
É a toutinegra curiosa:
Há em mim um doce enleio...
Nisto pergunta uma rosa:
"Então ele? Inda não veio?"
Sinto-me triste, doente...
E nem me deixam esquecê-lo!...
Nisto o sol impertinente:
"Sou um fio do seu cabelo..."
Ainda bem. É noitinha.
Enfim já posso pensar!
Ai, já me deixem sozinha!
De repente, oiço o luar:
"Que imensa mágoa me invade,
Que dor o meu peito sente!
Tenho uma enorme saudade
De ver o teu doce ausente!"
Volto a casa. Que tristeza!
Inda é maior minha dor...
Vem depressa. A natureza
Só fala de ti, amor!
Florbela Espanca (1894-1930)
Lua adversa
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles (1901-1964)
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles (1901-1964)
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