terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Café


Sabor de antigamente,sabor de família,
Café que foi torrado em casa,
Que foi feito no fogão da casa,com lenha do mato da casa,
Café para as visitas de cerimónia,
Café para as visitas de intimidade,
Café para os desconhecidos,para os que pedem pousada,para toda a gente


Ribeiro Couto (Brasil)
A selecção deste poema contou com a colaboração especial da aluna do 7ºD, Tawary Coelho

No Jardim Botânico


Foi no Jardim Botânico
que certo turista britânico,
ao ver uma flor carnívora,
entrou de súbito em pânico.
Dando um salto mecânico
foi a correr para o hotel,
onde tomou uma injecção
de soro antitetânico.


José Jorge Letria

Urubu


É um tipo de abutre
que no Brasil ganhou fama;
nunca jogo futebol
nem entrou em teledrama;
comida,só da estragada,
que é esse o seu prato forte;
não tem penas no pescoço
e gosta do cheiro da morte.
Quem se perde no deserto
só o evita por sorte.


José Jorge Letria

Truz Truz Truz


Neste livro de Natal
uma porta desenhada
não vai ficar nada mal.
Quem quiser vir passear
nas ruas das suas páginas,
ver ou ler, meter conversas
por aqui e por ali,
não tem nada que enganar,
vai nesta porta bater

Truz Truz Truz e Truz e Truz...

E depois,é só entrar!


Maria Alberta Menéres

Canário assistente


Ao lado dos dois pianos
assiste á lição da menina.

É generoso com o velho
professores.E cantando
também ele ensina tudo o que sabe.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Esquecer

Como me poderei esquecer,
De algo tão belo?
Não é tão fácil,
Como apagar lápis do papel!

Disseste-me para pensar
No mal em que me fizeste!
Eu tentei, mas só encontrei,
A felicidade que me deste!

Dou por mim a pensar,
Quando contigo vou sonhar,
Ou simplesmente estar
E reencontrar!

Dou por mim a imaginar,
Como seria ter o teu olhar
No meu mundo,
Em todo o lugar!

Quero ser feliz,
Mas primeiro tenho de esquecer-te
Mas nunca irá ser
Como se não te conhecesse!
Neste Natal vou-te rever
Não sei se é o melhor a fazer
Mas pior também não pode acontecer!

Elsa Silvestre nº7, 9ºD

domingo, 5 de dezembro de 2010

Nem aí...

Indiferente
ao suposto prestígio literário
e ao trabalho
do poeta,
à difícil faina
a que se entrega para
inventar o dizível,
sobe à mesa
o gatinho
se espreguiça
e deita-se e
adormece
em cima do poema


Ferreira Gullar