“ Auto da Barca do Inferno”
Obra escrita por Gil Vicente
É uma crítica à nossa sociedade
Que melhor retrata a nossa gente!
Sátiras e mensagens pensou
E na sua famosa obra as projectou,
Personagens-tipo e cómicas arranjou
E uma peça histórica encenou.
Todas aquelas personagens
Ao cais foram parar
Para que o Anjo e o Diabo
As pudessem julgar…
Eram muitas
Como a Alcoviteira e as suas enteadas
E poucas foram as
Que não foram condenadas.
Esta crítica social
só podia ser escrita por alguém especial
Esse alguém é Gil Vicente
Uma pessoa muito inteligente.
A peça que fomos ver
Foi de grande diversão
Foi a melhor visita de estudo
Na minha opinião…
Texto produzido a partir de quadras de alunos do 9ºA e 9ºD a propósito da representação a que assistiram no dia 13 de Janeiro.
Este projeto começou na Escola Básica Frei Estêvão Martins, em Alcobaça e destina-se a todos os que veem o mundo através da Poesia. Hoje tem o tamanho do Agrupamento de Cister. Aqui todos os membros da comunidade escolar podem participar, escrevendo (com o seu nome ou usando um pseudónimo), lendo, enviando os poemas preferidos, participando nas atividades... Porque o mundo é mais bonito quando dito com palavras escolhidas!
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
domingo, 23 de janeiro de 2011
Outros declamadores
Diseur: Mário Viegas
Rifão Quotidiano
Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece
Mário Henriques Leiria
Diseur: José Luis Peixoto
Fotografia de Madrid
Madrid regressará sempre. São precisos anos
para aprender aquilo que apenas acontece com
a distância de anos. É por isso que posso afirmar
que Madrid regressará sempre. Não sei que tipo
de entendimento encontrámos. Eu e Madrid não
nos conhecemos bem. Sabemos o essencial e
inventamos tudo o resto. Tanto a minha vida,
como a vida de Madrid, já tiveram muitas formas.
No entanto, quando nos encontramos, somos
sempre o mesmo nome. Avaliamo-nos por
cicatrizes e pequenas marcas de idade.
Não estabelecemos metas, estamos cansados.
Eu e Madrid só queremos uma cama, mas,
se não houver, contentamo-nos com o chão e,
se não houver, contentamo-nos com um abraço.
José Luis Peixoto
sábado, 22 de janeiro de 2011
O 'diseur'
Ainda no 'rescaldo' da visita oa Museu do Teatro e da representação do Auto da Barca do Inferno, queríamos hoje falar-vos de uma figura do teatro que não foi referida nessa visita, mas que tem lugar de destaque na História do Teatro em Portugal: João Villaret.
Passaram ontem 50 anos sobre a sua morte. Com uma carreira multifacetada no espectáculo português, foi um dos responsáveis por levar a Poesia ao grande público, através da rádio e da televisão.
Declamar é uma das muitas artes de palco. E Villaret fazia-o como ninguém!
Numa tradição cultural que recebeu muita influência de França, o actor-declamador era frequentemente conhecido por 'diseur'.
Foi assim que aprendemos a gostar de muitas das palavras da Poesia Portuguesa: na voz e na interpretação do 'diseur' João Villaret, que aqui vos apresentamos num dos seus temas mais famosos, com um vídeo em que podem conhecer algumas das imagens que nos legou, para a História do Teatro e da Poesia em Portugal.
FADO FALADO
Fado Triste
Fado negro das vielas
Onde a noite quando passa
Leva mais tempo a passar
Ouve-se a voz
Voz inspirada de uma raça
Que mundo em fora nos levou
Pelo azul do mar
Se o fado se canta e chora
Também se pode falar
Mãos doloridas na guitarra
que desgarra dor bizarra
Mãos insofridas, mãos plangentes
Mãos frementes e impacientes
Mãos desoladas e sombrias
Desgraçadas, doentias
Quando à traição, ciume e morte
E um coração a bater forte
Uma história bem singela
Bairro antigo, uma viela
Um marinheiro gingão
E a Emília cigarreira
Que ainda tinha mais virtude
Que a própria Rosa Maria
Em dia de procissão
Da Senhora da Saúde
Os beijos que ele lhe dava
Trazia-os ele de longe
Trazia-os ele do mar
Eram bravios e salgados
E ao regressar à tardinha
O mulherio tagarela
De todo o bairro de Alfama
Cochichava em segredinho
Que os sapatos dele e dela
Dormiam muito juntinhos
Debaixo da mesma cama
Pela janela da Emília
Entrava a lua
E a guitarra
À esquina de uma rua gemia,
Dolente a soluçar.
E lá em casa:
Mãos amorosas na guitarra
Que desgarra dor bizarra
Mãos frementes de desejo
Impacientes como um beijo
Mãos de fado, de pecado
A guitarra a afagar
Como um corpo de mulher
Para o despir e para o beijar
Mas um dia,
Mas um dia santo Deus, ele não veio
Ela espera olhando a lua, meu Deus
Que sofrer aquele
O luar bate nas casas
O luar bate na rua
Mas não marca a sombra dele
Procurou como doida
E ao voltar da esquina
Viu ele acompanhado
Com outra ao lado, de braço dado
Gingão, feliz, levião
Um ar fadista e bizarro
Um cravo atrás da orelha
E preso à boca vermelha
O que resta de um cigarro
Lume e cinza na viela,
Ela vê, que homem aquele
O lume no peito dela
A cinza no olhar dele
E o ciume chegou como lume
Queimou, o seu peito a sangrar
Foi como vento que veio
Labareda atear, a fogueira aumentar
Foi a visão infernal
A imagem do mal que no bairro surgiu
Foi o amor que jurou
Que jurou e mentiu
Correm vertigens num grito
Direito ou maldito que há-de perder
Puxa a navalha, canalha
Não há quem te valha
Tu tens de morrer
Há alarido na viela
Que mulher aquela
Que paixão a sua
E cai um corpo sangrando
Nas pedras da rua
Mãos carinhosas, generosas
Que não conhecem o rancor
Mãos que o fado compreendem
e entendem sua dor
Mãos que não mentem
Quando sentem
Outras mãos para acarinhar
Mãos que brigam, que castigam
Mas que sabem perdoar
E pouco a pouco o amor regressou
Como lume queimou
Essas bocas febris
Foi um amor que voltou
E a desgraça trocou
Para ser mais feliz
Foi uma luz renascida
Um sonho, uma vida
De novo a surgir
Foi um amor que voltou
Que voltou a sorrir
Há gargalhadas no ar
E o sol a vibrar
Tem gritos de cor
Há alegria na viela
E em cada janela
Renasce uma flor
Veio o perdão e depois
Felizes os dois
Lá vão lado a lado
E digam lá se pode ou não
Falar-se o fado.
Composição: Aníbal Nazaré e Nelson de Barros
Passaram ontem 50 anos sobre a sua morte. Com uma carreira multifacetada no espectáculo português, foi um dos responsáveis por levar a Poesia ao grande público, através da rádio e da televisão.
Declamar é uma das muitas artes de palco. E Villaret fazia-o como ninguém!
Numa tradição cultural que recebeu muita influência de França, o actor-declamador era frequentemente conhecido por 'diseur'.
Foi assim que aprendemos a gostar de muitas das palavras da Poesia Portuguesa: na voz e na interpretação do 'diseur' João Villaret, que aqui vos apresentamos num dos seus temas mais famosos, com um vídeo em que podem conhecer algumas das imagens que nos legou, para a História do Teatro e da Poesia em Portugal.
FADO FALADO
Fado Triste
Fado negro das vielas
Onde a noite quando passa
Leva mais tempo a passar
Ouve-se a voz
Voz inspirada de uma raça
Que mundo em fora nos levou
Pelo azul do mar
Se o fado se canta e chora
Também se pode falar
Mãos doloridas na guitarra
que desgarra dor bizarra
Mãos insofridas, mãos plangentes
Mãos frementes e impacientes
Mãos desoladas e sombrias
Desgraçadas, doentias
Quando à traição, ciume e morte
E um coração a bater forte
Uma história bem singela
Bairro antigo, uma viela
Um marinheiro gingão
E a Emília cigarreira
Que ainda tinha mais virtude
Que a própria Rosa Maria
Em dia de procissão
Da Senhora da Saúde
Os beijos que ele lhe dava
Trazia-os ele de longe
Trazia-os ele do mar
Eram bravios e salgados
E ao regressar à tardinha
O mulherio tagarela
De todo o bairro de Alfama
Cochichava em segredinho
Que os sapatos dele e dela
Dormiam muito juntinhos
Debaixo da mesma cama
Pela janela da Emília
Entrava a lua
E a guitarra
À esquina de uma rua gemia,
Dolente a soluçar.
E lá em casa:
Mãos amorosas na guitarra
Que desgarra dor bizarra
Mãos frementes de desejo
Impacientes como um beijo
Mãos de fado, de pecado
A guitarra a afagar
Como um corpo de mulher
Para o despir e para o beijar
Mas um dia,
Mas um dia santo Deus, ele não veio
Ela espera olhando a lua, meu Deus
Que sofrer aquele
O luar bate nas casas
O luar bate na rua
Mas não marca a sombra dele
Procurou como doida
E ao voltar da esquina
Viu ele acompanhado
Com outra ao lado, de braço dado
Gingão, feliz, levião
Um ar fadista e bizarro
Um cravo atrás da orelha
E preso à boca vermelha
O que resta de um cigarro
Lume e cinza na viela,
Ela vê, que homem aquele
O lume no peito dela
A cinza no olhar dele
E o ciume chegou como lume
Queimou, o seu peito a sangrar
Foi como vento que veio
Labareda atear, a fogueira aumentar
Foi a visão infernal
A imagem do mal que no bairro surgiu
Foi o amor que jurou
Que jurou e mentiu
Correm vertigens num grito
Direito ou maldito que há-de perder
Puxa a navalha, canalha
Não há quem te valha
Tu tens de morrer
Há alarido na viela
Que mulher aquela
Que paixão a sua
E cai um corpo sangrando
Nas pedras da rua
Mãos carinhosas, generosas
Que não conhecem o rancor
Mãos que o fado compreendem
e entendem sua dor
Mãos que não mentem
Quando sentem
Outras mãos para acarinhar
Mãos que brigam, que castigam
Mas que sabem perdoar
E pouco a pouco o amor regressou
Como lume queimou
Essas bocas febris
Foi um amor que voltou
E a desgraça trocou
Para ser mais feliz
Foi uma luz renascida
Um sonho, uma vida
De novo a surgir
Foi um amor que voltou
Que voltou a sorrir
Há gargalhadas no ar
E o sol a vibrar
Tem gritos de cor
Há alegria na viela
E em cada janela
Renasce uma flor
Veio o perdão e depois
Felizes os dois
Lá vão lado a lado
E digam lá se pode ou não
Falar-se o fado.
Composição: Aníbal Nazaré e Nelson de Barros
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Vida
Os ossos partem-se,
Os orgãos rebentam,
A carne rasga-se...
Podemos cozer a carne,
reparar o dano,
diminuir a dor...
Mas quando a vida cede,
quando nós cedemos...
não há ciência,
não há regras impostas;
Temos de seguir o nosso caminho...
E para mim,
não há nada melhor
e não há nada pior.
Continuamos a vida sem nos cortarmos,
sem nos magoarmos.
Vida,
morta ou viva continuarei.
Mancha
Os orgãos rebentam,
A carne rasga-se...
Podemos cozer a carne,
reparar o dano,
diminuir a dor...
Mas quando a vida cede,
quando nós cedemos...
não há ciência,
não há regras impostas;
Temos de seguir o nosso caminho...
E para mim,
não há nada melhor
e não há nada pior.
Continuamos a vida sem nos cortarmos,
sem nos magoarmos.
Vida,
morta ou viva continuarei.
Mancha
Auto da Barca do Inferno - Companhia "O Sonho"

Fid.
Que leixo na outra vida
quem reze sempre por mi.
Dia.
Quem reze sempre por ti?!...
Hi, hi, hi, hi, hi, hi, hi!...
E tu viveste a teu prazer, cuidando cá guarecer[15]
por que rezam lá por ti?!...
Embarca! Hou! Embarcai!
que haveis de ir à derradeira!
Mandai meter a cadeira,
que assi passou vosso pai.
Fid.
Quê? Quê? Quê? Assi lhe vai?!
Dia.
Vai ou vem! Embarcai prestes!
Segundo lá escolhestes,
assi cá vos contentai.
Pois que já a morte passastes,
haveis de passar o rio.
Fid.
Não há aqui outro navio?
As Janeiras na Nossa Escola (20/01/11)

"Somos do Grupo Coral"
Levante-se ó patroa
Abra a porta da varanda
Deite alguns euros à rua
Para o grupo qu'aqui anda
Vimos cantar as Janeiras
Ó senhores venham escutar
Somos do Grupo Coral
Boas Festas lhes queremos dar
Uma gente tão bondosa
Nesta terra não conheço
Ajude a fazer as obras
Na Igreja de Carreço
Vimos cantar as Janeiras
Ó senhores venham escutar
Somos do Grupo Coral
Boas Festas lhes queremos dar
Venha-nos ouvir cantar
Não espreite no postigo
Boas festas lhe vem dar
Este grupo seu amigo
Vimos cantar as Janeiras
Ó senhores venham escutar
Somos do Grupo Coral
Boas Festas lhes queremos dar
Nesta terra não conheço
Ajude a fazer as obras
Na Igreja de Carreço
Vimos cantar as Janeiras
Ó senhores venham escutar
Somos do Grupo Coral
Boas Festas lhes queremos dar
Venha-nos ouvir cantar
Não espreite no postigo
Boas festas lhe vem dar
Este grupo seu amigo
Vimos cantar as Janeiras
Ó senhores venham escutar
Somos do Grupo Coral
Boas Festas lhes queremos dar
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