quinta-feira, 21 de março de 2013

No âmbito da Semana da Leitura, os alunos do 8º C produziram acrósticos cujo tema foi o mar. Estes trabalhos ficaram expostos na biblioteca da escola. Aproveitem e mergulhem nesta brisa de palavras.

Mar, lindo mar
Adoro quando bates com as ondas na areia e
Rio de felicidade.

Amo o som das ondas que
Refletem nos meus olhos e
Tento não olhar para o
Espelho do Sol a bater no mar.


 Vasco Oliveira nº26 8ºC
  Pavlo Rudchuck nº18 8ºC


Leio as ondas e
Escrevo a praia
Respeito o sol que me ilumina

Adoro fazer coisas para
Zelar pelo habitat dos
Ursos pardos e
Leões marinhos.

 
  Vasco Oliveira nº26 8ºC
                                                     
 Pavlo Rudchuck nº18 8ºC



Mar é arte
Arte é mar
Revolvendo as águas do oceano em busca da liberdade

Abraçando as ondas impiedosas
Remando sem ter fim
Tão belos paraísos encontrando
Entre dias e noites buscando.

Alváro António nº2 8ºC



Mar é obra de arte
A água a sua tela
Renascendo de forma bela

Antes era desconhecido
Raramente a encontrava
Trazia uma energia
Ela me apaixonava

António Justiniano nº5 8ºC
Tiago Gonçalves nº22 8ºC

Ler é maravilhoso
E fabuloso como o mar
Revolvendo as areias do luar

A arte é como o mar
Zelando pelo natural
Usando o vento para ajudar
Levando consigo o seu areal

António Justiniano nº5 8ºC
Tiago Gonçalves nº22 8ºC

Marés violentas, mulheres preocupadas
Algazarra no mar, medo em terra
Rochas com pérolas, diamantes escondidos

Amores por vir, tristezas por irem
Riquezas vêm com as ondas
Tragédias desconhecidas,
E sempre que precisarmos, a companhia do mar, para nos alegrar.

Inês Santos nº11 8ºC
Mara Inácio nº15 8ºC

Ler, olhar, observar, tudo para
Escrever o quanto é belo o mar
Relembrar momentos bem passados

Azul é o céu, assim como o mar
Zelam pelo beleza das ondas
Ultrapassa qualquer coisa, imaginar o quanto é brilhante o fundo do mar
Letras espalhadas pelas algas, sonhos perdidos nas marés.

Inês Santos nº11 8ºC
Mara Inácio nº15 8ºC

Léguas sem fim
Encontrando tua vasta história
Respirando o teu azul

Andando sem de stino
Ziguezagueando com a força do teu corpo imenso
Único que ninguém supera
Lamento a tua perda, despedindo-me
 André Ferreira Nº3 8º C

Manejavam os navios
À procura de
Regresso

Ajudavam Portugal
Remando contra a maré
Tentando acreditar e
Esperando no regresso.
   Tomás Dinis  Nº24 8ºC

Lindo é o mar
E sempre azul
Radiante são as suas ondas

Aventurando-se por entre o mar
Zelam pela vida
Único é o mar
Lindas são as ondas.
  Alexandra Agostinho Nº1 8ºC

Mar é liberdade
Atravessa o espírito dos seus amantes
Refletindo o orgulho dos seus comandantes

Acumulando riqueza e glória
Regressando à pátria
Trazendo novas vidas aos seus habitantes
E esplendor à sua nação
Pedro Almeida Nº19 8ºC

Navegar em
Alto mar
Oiço-te
Na madrugada
Da paixão e
Apaixono-me por ti.
Durmo e
Acordo
Sempre a pensar em ti
Libertas-me os pensamentos
Enquanto expulso a raiva por ti,
Imaginando
Tantas vidas que roubaste
Uns em vão e outros não
Respeitando-te tanto e,
Agora
Só resta dor...
   Beatriz Martins 8ºC Nº6

Marinheiros, marinheiros
Andam sempre a navegar
Recolhendo o peixe para jantar

A noite toda a pescar
Recebiam para viver
Tirando saudades
Esperando a família rever.
  Vânia Campos Nº25 8ºC
  João Cardoso Nº13 8ºC

Nadando, nadando
Através da praia
Vem o pôr do sol
E vamos vê-lo no farol
Grandes as ondas eram
Altas ainda mais ficaram
Rebentavam lentamente

Na noite escura
O farol brilhava
Sem parar de iluminar as ondas.

Lindas sem parar
Incapaz de cansar
Vinham e iam
Rebentavam sem parar
O todo poderoso
Sabia que ali estava o mar. 
Vânia Campos Nº25 8ºC
   João Cardoso Nº13 8ºC


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013


Carnaval


Com os teus dedos feitos de tempo silencioso,
Modela a minha mascara, modela-a…
E veste-me essas roupas encantadas
Com que tu mesmo te escondes, ó oculto!
Põe nos meus lábios essa voz
Que só constrói perguntas,
E, à aparência com que me encobrires,
Dá um nome rápido, que se possa logo esquecer…
Eu irei pelas tuas ruas,
Cantando e dançando…
E lá, onde ninguém se reconhece,
Ninguém saberá quem sou,
À luz do teu Carnaval…
Modela a minha mascara!
Veste-me essas roupas!
Mas deixa na minha voz a eternidade
Dos teus dedos de silencioso tempo…
Mas deixa nas minhas roupas a saudade da tua forma…
E põe na minha dança o teu ritmo,
Para me conduzir…
 Cecília Meireles

A vida é uma tremenda bebedeira



A vida é uma tremenda bebedeira.
Eu nunca tiro dela outra impressão.
Passo nas ruas, tenho a sensação
De um carnaval cheio de cor e poeira…
A cada hora tenho a dolorosa
Sensação, agradável todavia,
De ir aos encontrões atrás da alegria
Duma plebe farsante e copiosa…
Cada momento é um carnaval imenso
Em que ando misturado sem querer.
Se penso nisto maça-me viver
E eu, que amo a intensidade, acho isto intenso
De mais… Balbúrdia que entra pela cabeça
Dentro a quem quer parar um só momento
Em ver onde é que tem o pensamento
Antes que o ser e a lucidez lhe esqueça…
Automóveis, veículos, (…)
As ruas cheias, (…)
Fitas de cinema correndo sempre
E nunca tendo um sentido preciso.
Julgo-me bêbado, sinto-me confuso,
Cambaleio nas minhas sensações,
Sinto uma súbita falta de corrimões
No pleno dia da cidade (…)
Uma pândega esta existência toda…
Que embrulhada se mete por mim dentro
E sempre em mim desloca o crente centro
Do meu psiquismo, que anda sempre à roda…
E contudo eu estou como ninguém
De amoroso acordo com isto tudo…
Não encontro em mim, quando me estudo,
Diferença entre mim e isto que tem
Esta balbúrdia de carnaval tolo,
Esta mistura de europeu e zulu
Este batuque tremendo e chulo
E elegantemente em desconsolo…
Que tipos! Que agradáveis e antipáticos!
Como eu sou deles com um nojo a eles!
O mesmo tom europeu em nossas peles
E o mesmo ar conjuga-nos
Tenho às vezes o tédio de ser eu
Com esta forma de hoje e estas maneiras…
Gasto inúteis horas inteiras
A descobrir quem sou; e nunca deu
Resultado a pesquisa… Se há um plano
Que eu forme, na vida que talho para mim
Antes que eu chegue desse plano ao fim
Já estou como antes fora dele. É engano
A gente ter confiança em quem tem ser…
(…)
Olho p’ró tipo como eu que ai vem…
(…)
Como se veste (…) bem
Porque é uma necessidade que ele tem
Sem que ele tenha essa necessidade.
Ah, tudo isto é para dizer apenas
Que não estou bem na vida, e quero ir
Para um lugar mais sossegado, ouvir
Correr os rios e não ter mais penas.
Sim, estou farto do corpo e da alma
Que esse corpo contém, ou é, ou faz-se…
Cada momento é um corpo no que nasce…
Mas o que importa é que não tenho calma.
Não tenciono escrever outro poema
Tenciono só dizer que me aborreço.
A hora a hora minha vida meço
E acho-a um lamentável estratagema
De Deus para com o bocado de matéria
Que resolveu tomar para meu corpo…
Todo o conteúdo de mim é porco
E de uma chatíssima miséria.
Só é decente ser outra pessoa
Mas isso é porque a gente a vê por fora…
Qualquer coisa
Álvaro de Campos

Fantasia
que é fantasia, por favor?
Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?
Ou antes, e principalmente,
brinquedo sigiloso, tão íntimo,
tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
que ninguém percebe, e todos os dias
exibo na passarela sem espectadores?
 Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013



O Inverno - Poema de Eugénio de Andrade

Velho, velho, velho                            
Chegou o Inverno.                                
                                                                
Vem de sobretudo,                                 
Vem de cachecol,                                   
                                                                  
O chão onde passa                               
Parece um lençol.

Esqueceu as luvas                                
Perto do fogão:                                   
                                                                 
Quando as procurou,                                 
Roubara-as um cão.

Com medo do frio                                            
Encosta-se a nós:

Dai-lhe café quente
Senão perde a voz.

Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.


Eugénio de Andrade (1923 –2005)

Obrigada Ana por continuares a abrilhantar este cantinho da poesia.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Corres contra o vento
    Inês Marques

Corres contra o vento
procurando apenas a razão
que te leve a ficar neste momento
em que acaricio o teu rosto com a minha mão.


Podes apenas deixar-te levar
por esta noite fria e desconhecida
esta será a última vez que voltamos a tentar
juntos encontrar uma única saída.


Essas palavras são tão simples e frágeis
que fazem o meu mundo ganhar outra cor
tal como os teus reflexos prudentes e ágeis
que me captam na magia deste nosso amor.


As nossas vidas acabaram por se cruzar
muitos dos nossos erros ficaram a nu
o meu olhar nunca deixará de brilhar
a minha única razão serás sempre tu.