segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Da Felicidade

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!


Mário Quintana

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Os mais jovens Poetas

Um exercício de produção poética a partir do seguinte poema:

Os meus cinco sentidos

Meus olhos já veem o verde do mar
e afagam as ondas onde quero ir nadar.

Minhas mãos tocam pedras macias, redondas,
que eu atiro depois para o meio das ondas.

Meus ouvidos escutam o marulho das águas
que ecoa num búzio trazido pelas vagas.

Minha língua já prova a água salgada
e a seguir quer um doce para ficar sossegada.

Traz-me a brisa ao nariz um cheirinho a maresia
e eu já corro para o mar onde mora a alegria.

João Pedro Mésseder, Era uma vez outra vez,Porto Editora, 2007

O Henrique Rodrigues escreveu:

Meus olhos já veem o céu a brilhar
onde estão as estrelas a descansar

Minhas mãos tocam nas nuvens fofinhas
que baloiçam muito queridinhas

Meus ouvidos escutam os astros no universo
e caminham no céu disperso

Minha língua já prova a lua bem cheia
que ilumina a minha meia

Traz-me a brisa ao nariz um cheirinho a perdiz
até a estrela polar se ri

O Xavier Rodrigues escreveu:

Meus olhos já veem o azul do céu
onde as gaivotas passam a voar

Minhas mãos tocam nas rochas molhadas
onde passeiam os caranguejos

Meus ouvidos escutam o barulho do mar
num búzio perdido no mar

Minha língua já prova o sal do mar
que tempera a comida

Traz-me a brisa ao nariz um cheirinho a ar fresco
e eu encho os meus pulmões

Parabéns aos jovens Poetas!


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A Leitora

Sempre que morre um Poeta o Mundo fica mais pobre. O Universo da Palavra perde um dos seus artesãos.

A semana passada perdemos António Ramos Rosa, que, com 88 anos, continuava cheio de projetos de escrita.

A melhor homenagem que podemos fazer a um Autor é continuarmos a ler os seus trabalhos, tornando-o imortal.

Como leitoras, para os leitores deste blogue, aqui publicamos A Leitora de António Ramos Rosa.


A leitora abre o espaço num sopro subtil.
Lê na violência e no espanto da brancura.
Principia apaixonada, de surpresa em surpresa.
Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco.
Ela fala com as pedras do livro, com as sílabas da sombra.

Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento.
Desce pelos bosques como uma menina descalça.
Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva
em chama de água. Na imaculada superfície
ou na espessura latejante, despe-se das formas,

branca no ar. É um torvelinho harmonioso,
um pássaro suspenso. A terra ergue-se inteira
na sede obscura de palavras verticais.
A água move-se até ao seu princípio puro.
O poema é um arbusto que não cessa de tremer.

António Ramos Rosa, in "Volante Verde"


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Regresso à Poesia



Estamos de volta!
A segunda-feira é o dia de renovarmos os nossos votos com a semana de trabalho que devemos encarar também de forma poética.
Tentaremos sempre ter algo de novo para o início das tuas semanas!
Contamos contigo para produzir e divulgar as Palavras da Poesia.

E como todos temos fases...aqui fica um poema sobre tal.

LUA ADVERSA


Tenho fases, como a lua 
Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha. 

Fases que vão e vêm, 
no secreto calendário 
que um astrólogo arbitrário 
inventou para meu uso. 

E roda a melancolia 
seu interminável fuso! 
Não me encontro com ninguém 
(tenho fases como a lua...) 
No dia de alguém ser meu 
não é dia de eu ser sua... 
E, quando chega esse dia, 
o outro desapareceu...



Cecília Meireles

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A carta



Escrevo-te estas mal traçadas linhas, meu amor
Porque veio a saudade visitar meu coração
Espero que desculpes os meus erros por favor
Nas frases desta carta 
que é uma prova de ternura
Talvez tu não a leias mas quem sabe até darás
Resposta imediata me chamando de meu bem
Porém o que me importa
é confessar-te uma vez mais
Não sei amar na vida mais ninguém

Tanto tempo faz,
que li no teu olhar
A vida cor-de-rosa que eu sonhava
E guardo a sensação
de que já vi passar

Ao me apaixonar,
por ti não reparei
Que tu tiveste só entusiasmo
E para terminar, amor assinarei
Da sempre tua deusa 

Tânia Palma, 8º C

Vazio


Existe um vazio e uma pergunta no ar 
Provocados por essa ausência misteriosa.
Passam-se os segundos, minutos, horas,
Dias, semanas... e continua o silêncio.
Pensamentos diferentes vão e voltam,
Num remoinho de emoções ocultas
Que buscam e rastreiam brilhos
Em busca de descobrir o por quê?
Causa que possa tentar explicar
Essa ausência de provas
Aceitáveis, claras e apreciadas,
Que saiam o efeito de acalmar
A aflição, agonia e desgraça
Dessa triste e longa espera, 
Que parece não acabar...
Mas isto tem que acabar!
Esse silêncio comprova
Que a resposta existe,
E só falta aceitar
Que o fim chegou.
Sem palavras.
É só o fim.
O fim.


Tânia Palma, 8ºC

A recordação magoa tanto!!!


A recordação magoa tanto!!!
Parece que o céu nunca mais será azul
Desde que foste embora e levaste
A minha alma com o teu coração...
O meu sorriso perdeu-se algures
Pelo chão que já pisaste
E que hoje percebo que foi o meu coração!
Partiste e não deixaste nada...
Só a dor da tua ausência
O desespero de não ouvir a tua voz
O sofrimento de sonhar contigo a cada hora
E a incompetência de me voltar a levantar da cama todos os dias...

Olho para o presente e percebo que
Dói demais!
Olho para o futuro e sei que
Não te verei mais!
Olho para o passado e penso que
Quero mais!

Mas percebo que aquilo que um dia existiu
E nos uniu
Já não tinha mais asas para voar...
Alguém as cortou e com elas
Cortou os meus sonhos...
Já não consigo viver...
Só recordo, só choro
Só penso se tudo existiu...
Ou se foi mais uma partida da minha imaginação.
Recordo o silêncio da tua mão pousada na minha
Recordo e choro...



Tânia Palma, 8º C