O teu cheiro é como uma flor
acabada de acordar.
A tua voz é suave como um beijo
dado ao deitar.
O teu sorriso é como um raio de sol
Embatendo no mar.
Eu sonho contigo toadas as noites ao luar
Pensando em te beijar.
Tu és a ilha dos meus sonhos
a lagoa por onde andei
És o meu tesouro
Só para te poder encontrar.
Os teus cabelos loiros
Na noite de lua cheia
Faz-me parecer um lobo,
Rei na minha alcateia.
Ricardo Coelho, nº 20 9ºC
Este projeto começou na Escola Básica Frei Estêvão Martins, em Alcobaça e destina-se a todos os que veem o mundo através da Poesia. Hoje tem o tamanho do Agrupamento de Cister. Aqui todos os membros da comunidade escolar podem participar, escrevendo (com o seu nome ou usando um pseudónimo), lendo, enviando os poemas preferidos, participando nas atividades... Porque o mundo é mais bonito quando dito com palavras escolhidas!
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus
[braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus
[braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Da Felicidade
Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
Mário Quintana
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
Mário Quintana
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Os mais jovens Poetas
Um exercício de produção poética a partir do seguinte poema:
Os meus cinco sentidos
Meus olhos já veem o verde do mar
e afagam as ondas onde quero ir nadar.
Minhas mãos tocam pedras macias, redondas,
que eu atiro depois para o meio das ondas.
Meus ouvidos escutam o marulho das águas
que ecoa num búzio trazido pelas vagas.
Minha língua já prova a água salgada
e a seguir quer um doce para ficar sossegada.
Traz-me a brisa ao nariz um cheirinho a maresia
e eu já corro para o mar onde mora a alegria.
João Pedro Mésseder, Era uma vez outra vez,Porto Editora, 2007
O Henrique Rodrigues escreveu:
Meus olhos já veem o céu a brilhar
onde estão as estrelas a descansar
Minhas mãos tocam nas nuvens fofinhas
que baloiçam muito queridinhas
Meus ouvidos escutam os astros no universo
e caminham no céu disperso
Minha língua já prova a lua bem cheia
que ilumina a minha meia
Traz-me a brisa ao nariz um cheirinho a perdiz
até a estrela polar se ri
O Xavier Rodrigues escreveu:
Meus olhos já veem o azul do céu
onde as gaivotas passam a voar
Minhas mãos tocam nas rochas molhadas
onde passeiam os caranguejos
Meus ouvidos escutam o barulho do mar
num búzio perdido no mar
Minha língua já prova o sal do mar
que tempera a comida
Traz-me a brisa ao nariz um cheirinho a ar fresco
e eu encho os meus pulmões
Parabéns aos jovens Poetas!
Os meus cinco sentidos
Meus olhos já veem o verde do mar
e afagam as ondas onde quero ir nadar.
Minhas mãos tocam pedras macias, redondas,
que eu atiro depois para o meio das ondas.
Meus ouvidos escutam o marulho das águas
que ecoa num búzio trazido pelas vagas.
Minha língua já prova a água salgada
e a seguir quer um doce para ficar sossegada.
Traz-me a brisa ao nariz um cheirinho a maresia
e eu já corro para o mar onde mora a alegria.
João Pedro Mésseder, Era uma vez outra vez,Porto Editora, 2007
O Henrique Rodrigues escreveu:
Meus olhos já veem o céu a brilhar
onde estão as estrelas a descansar
Minhas mãos tocam nas nuvens fofinhas
que baloiçam muito queridinhas
Meus ouvidos escutam os astros no universo
e caminham no céu disperso
Minha língua já prova a lua bem cheia
que ilumina a minha meia
Traz-me a brisa ao nariz um cheirinho a perdiz
até a estrela polar se ri
O Xavier Rodrigues escreveu:
Meus olhos já veem o azul do céu
onde as gaivotas passam a voar
Minhas mãos tocam nas rochas molhadas
onde passeiam os caranguejos
Meus ouvidos escutam o barulho do mar
num búzio perdido no mar
Minha língua já prova o sal do mar
que tempera a comida
Traz-me a brisa ao nariz um cheirinho a ar fresco
e eu encho os meus pulmões
Parabéns aos jovens Poetas!
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
A Leitora
Sempre que morre um Poeta o Mundo fica mais pobre. O Universo da Palavra perde um dos seus artesãos.
A semana passada perdemos António Ramos Rosa, que, com 88 anos, continuava cheio de projetos de escrita.
A melhor homenagem que podemos fazer a um Autor é continuarmos a ler os seus trabalhos, tornando-o imortal.
Como leitoras, para os leitores deste blogue, aqui publicamos A Leitora de António Ramos Rosa.
A leitora abre o espaço num sopro subtil.
Lê na violência e no espanto da brancura.
Principia apaixonada, de surpresa em surpresa.
Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco.
Ela fala com as pedras do livro, com as sílabas da sombra.
Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento.
Desce pelos bosques como uma menina descalça.
Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva
em chama de água. Na imaculada superfície
ou na espessura latejante, despe-se das formas,
branca no ar. É um torvelinho harmonioso,
um pássaro suspenso. A terra ergue-se inteira
na sede obscura de palavras verticais.
A água move-se até ao seu princípio puro.
O poema é um arbusto que não cessa de tremer.
António Ramos Rosa, in "Volante Verde"
A semana passada perdemos António Ramos Rosa, que, com 88 anos, continuava cheio de projetos de escrita.
A melhor homenagem que podemos fazer a um Autor é continuarmos a ler os seus trabalhos, tornando-o imortal.
Como leitoras, para os leitores deste blogue, aqui publicamos A Leitora de António Ramos Rosa.
A leitora abre o espaço num sopro subtil.
Lê na violência e no espanto da brancura.
Principia apaixonada, de surpresa em surpresa.
Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco.
Ela fala com as pedras do livro, com as sílabas da sombra.
Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento.
Desce pelos bosques como uma menina descalça.
Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva
em chama de água. Na imaculada superfície
ou na espessura latejante, despe-se das formas,
branca no ar. É um torvelinho harmonioso,
um pássaro suspenso. A terra ergue-se inteira
na sede obscura de palavras verticais.
A água move-se até ao seu princípio puro.
O poema é um arbusto que não cessa de tremer.
António Ramos Rosa, in "Volante Verde"
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Regresso à Poesia
Estamos de volta!
A segunda-feira é o dia de renovarmos os nossos votos com a semana de trabalho que devemos encarar também de forma poética.
Tentaremos sempre ter algo de novo para o início das tuas semanas!
Contamos contigo para produzir e divulgar as Palavras da Poesia.
E como todos temos fases...aqui fica um poema sobre tal.
LUA ADVERSA
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles
segunda-feira, 20 de maio de 2013
A carta
Escrevo-te estas mal traçadas linhas, meu amor
Porque veio a saudade visitar meu coração
Espero que desculpes os meus erros por favor
Nas frases desta carta
que é uma prova de ternura
Talvez tu não a leias mas quem sabe até darás
Resposta imediata me chamando de meu bem
Porém o que me importa
é confessar-te uma vez mais
Não sei amar na vida mais ninguém
Tanto tempo faz,
que li no teu olhar
A vida cor-de-rosa que eu sonhava
E guardo a sensação
de que já vi passar
Ao me apaixonar,
por ti não reparei
Que tu tiveste só entusiasmo
E para terminar, amor assinarei
Da sempre tua deusa
Tânia Palma,
8º C
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