segunda-feira, 28 de abril de 2014

Alma na rua

Céu colapsado
sangue na rua
quando despida
minha alma fica nua.

É profundo o sentimento
quando a tinta corre com conhecimento
na rua a alma a fugir
na folha letras a surgir.

É a vida da alma na rua
que imagina além da imaginação
cavaleiro que ergue a espada
com nobreza no coração.

Miguel Venceslau  7º F

Poesia é...

Imaginar o que nos vai na alma
Ouvindo o bater do coração em cada palavra.
O respirar das letras que se escrevem
Algo que se sente, que se expressa
E que se escreve com alma,
Dando asas à imaginação.
A canção das letras que paira na folha
Como uma nuvem no céu,
Que ilumina o infinito da nossa alma.
Ser mais poderoso que tudo
Atribuindo novos significados às palavras,
Transmitindo sentimentos e pensamentos.
A poesia é um conjunto
Que traduz emoções.

Poema coletivo do 7º F

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Mais variações sobre Gil Vicente

Onzeneiro- Pois que triste episódio
Acabei como Adão.

Diabo- Pois, Vossa Excelência
Quereis algo mais que a vida terrena
Quereis lá tornar
Para semear maçãs?

Onzeneiro-Tende piedade de mim
É só o que eu peço
Mais de dez moedas têm eu
Mas não hás-de ficar com elas…
É dinheiro que me custou a ganhar…

Diabo- Vossa Excelência enganou-se no verbo
Não é ganhar
Querias dizer: roubar.

Onzeneiro- Com a infelicidade de outros durmo eu bem
Tiro algum a quem já pouco tem
Aprendi esta arte desde moço
E a ninguém deixo osso.

Diabo- Tenha a bondade de entrar
A bordo e remar
Pois as terras de Lúcifer
O esperam…

Onzeneiro- Às terras do mal, não hei de eu chegar
Nem que para isso
Vinte moedas tenham que entregar

Diabo- Vossa Majestade acha então
Que estou a profanar um tal plano
Subi a bordo e hasteai a vela
Porque hoje é dia de festa.

Onzeneiro-Não hei de eu ir aí
Nem que tenha que subornar
Não vou remar
Chame um marinheiro

Diabo- Oh que gentil recear…


Miguel Mendinhas, 9ºB

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Confissão do Sapateiro



Bem, meu Deus nunca roubei
Nem assassinei
e nem a minha mulher “adulterei”

Renuncio ao baptismo
Em remissão dos pecados
Nunca roubei tudo
Foi só um bocado de cada vez…

Rezei muito a Deus e a Maria
Sabia lá eu que quando morresse
Com nada ficaria
E que as orações não me serviriam?!

Não compreendo:
Não é pagar muito
Um par de sapatos, 80 reis
O preço é baixo
E felizes os demais.

Sempre pensei que muito podia pecar
E depois, era só falar
Com o padre e me confessar
O prior dizia
“Meu filho”, um Pai Nosso e duas Avé Marias vais ter de rezar.

Eu rezava no dia seguinte
Mas já novamente pecava.
Mas que triste fim
Eu vim ter
E na barca do inferno
Vou eu agora embarcar.

Entro agora na barca
Com a corda ao pescoço
Castigo merecido
Para quem tudo come
E nem deixa osso

Tenho falta de juízo
Para a minha idade
É tão verdade.


Miguel Mendinhas, 9ºB


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

De Gil Vicente aos dias de hoje...




No âmbito do estudo da obra "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente, foi solicitada a produção de textos alusivos às cenas analisadas.
Como alguns alunos optaram pela Poesia para realizar os seus trabalhos, considerámos que estes poderiam abrilhantar este espaço.
Aqui ficam, então...


Inferno, 18 de Fevereiro de 1518

Meu caro amigo,
Padre fui, marido também,
um bom fiel fora,
a partir de ontem não fui além
pois morreram muito má hora.
Vim parar a um cais
e do nada apareci,
ao lado de uma barca,
infernal destino que mereci.
Tive a oportunidade
de poder falar
e através desta carta
o teu destino irás salvar.
Evita o mal,
pratica o bem,
E na barca da Glória
irás para o Além.
Roubar é errado,
o adultério também,
Não faças como eu
que o pratiquei com mais de cem.
Vou ter que me despedir,
desejar que não erres,
E com os teu filhos não berres.

O teu grande amigo,
Frade...
    João Serrano, 9ºB FEM


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Aqui ficam dois belos poemas de dois autores portugueses, eternos nas suas palavras...

Todas as cartas de amor…
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Fernando Pessoa



Identidade


Matei a lua e o luar difuso.
Quero os versos de ferro e de cimento.
 E em vez de rimas, uso
As consonâncias que há no sofrimento.
Universal e aberto, o meu instinto acode
 A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
Dá beleza e sentido a cada grito.
 Mas como as inscrições nas penedias
Têm maior duração,
 Gasto as horas e os dias 
A endurecer a forma da emoção.


Miguel Torga



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A tua voz é suave como um beijo

A tua voz é suave como um beijo
Nela me perco de emoção
Quando falas comigo
Mal sinto o coração.

Quando sorris para mim
Parece que fico sem chão
O mundo é tão grande
Mas contigo parece anão.

Quando olhas para mim
Deves querer matar-me de paixão
A curva dos teus olhos
Abraça o meu coração.

Esse brilhar de olhos
Faz querer-me mais e mais
Não sei se vou conseguir resistir
Pois esses olhos são fora do normal.

Quando estou contigo
E te encho de abraços
Fico nervosa, pois é muita responsabilidade
Segurar o meu mundo nos braços.

Sei que posso cuidar de ti
E fazer-te mais feliz
Nós os dois
Todo o dia a comer amendoins.

Quando cá estiveres
Temos muita coisa para resolver
Porque és bastante importante
E não te posso perder.

Bem, vou terminar por aqui
Só quero que percebas
O quanto és importante para mim

Ângela Baptista, nº4, 9ºC