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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

António Gedeão - Poeta do mês de outubro

Como cientista e humanista António Gedeão criou poemas para nos falar da falta de sentido dos preconceitos.
Na sua linguagem de cientista prova-nos "no laboratório" que o racismo não tem qualquer sentido.
Do belo poema outros fizeram canções.

Aqui ficam as palavras escritas
(recolhidas em https://poemasdomundo.wordpress.com/2006/11/04/lagrima-de-preta/)
e cantadas por Adriano Correia de Oliveira,
num vídeo recolhido no youtube.

Aqui fica, sobretudo, um tema para refletir.

Lágrima de Preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterlizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Madei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
António Gedeão (1906-1997)


terça-feira, 8 de março de 2016

8 de Março - Dia Internacional da Mulher

Tempos houve em que as mulheres eram consideradas inferiores aos homens, tempos houve em que as mulheres não podiam votar, decidir sobre a sua vida ou viajar sozinhas.
Esses tempos para muitas sociedades, como a nossa, são passado. Mas ainda existem países onde as coisas são muito diferentes.
Este dia existe para chamar a atenção para as injustiças que ainda hoje se cometem sobre as mulheres e para agradecer a todas aquelas que, antes de nós, tornaram possível a igualdade de géneros que está hoje presente na lei e na vida portuguesa.
Nas mensagens seguintes há poemas sobre as mulheres e canções de e sobre as mulheres. Hoje é dia de olhar à volta e dar uma saudação a uma mulher especial: a mãe? a professora?...

Feliz Dia da Mulher!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Cientificamente provado

Hoje é Dia Nacional da Cultura Científica. Este dia foi instituído em homenagem ao Professor Rómulo de Carvalho, o principal responsável por chamar a atenção para a importância da divulgação de uma cultura científica ao grande público em Portugal.
Ele era Professor numa Escola Secundária.
Ele era também Poeta. Com o pseudónimo António Gedeão escreveu das mais belas páginas da poesia portuguesa contemporânea, num estilo simples, acessível a todos, sem no entanto abandonar a sua função de ensinar, de nos falar de coisas importantes.
Hoje vivemos tempos muito complicados, em que o medo por vezes se sobrepõe à razão.
Hoje é um dia excelente para recordarmos as palavras do Professor-Cientista-Poeta que nos mostra, à luz da ciência, que o racismo não tem razão de existir.


Lágrima de Preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar. 

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente. 

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume: 
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

ANO LETIVO 2014/2015

Um pequeno poema, escrito há já muitos anos, sobre ensinar e aprender, que é o que se faz na Escola.
Aqui fica, pois, desejando a todos (nós) um bom ano letivo 2014/2015.

Canário Assistente

Ao lado dos dois pianos
assiste à lição da menina.

É generoso com o velho
professor. E cantando
também ele ensina tudo o que sabe.


António Osório

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Dia dos Namorados



Há muitas formas de celebrar o amor que temos uns pelos outros. Numa escola, onde diferentes gerações se cruzam diariamente, estabelecem laços, uns são efémeros e frágeis, mas outros, eu ousaria dizer a maioria deles, são sólidos e resistem ao passar do tempo e ao desgaste do dia a dia.
O Ateliê quis, quis mais uma vez, mostrar como a poesia pode ser uma poderosa aliada na construção de laços, promovendo a atividade "Escolhe um poema para o teu amor". Os alunos tiveram ao seu dispor 19 poemas de autores consagrados que puderam endereçar para o destinatário escolhido. No dia 14 de fevereiro os poemas foram entregues em mão pelos "cupidos" contratados, todos eles alunos do 7ºC.( Álvaro António, Mara Inácio, António Justiniano, Inês Santos, Filipa Coutinho e Vasco Oliveira).


Uma das frases poéticas mais foi enviada foi esta de Victor Hugo, simples, mas cheia de significado:

"A maior felicidade é a certeza de sermos amados, apesar de sermos como somos"


São inúmeros os poemas que aqui poderíamos deixar para sinalizar esta data. A nossa escolha recai sobre um dos heterónimos de Fernando Pessoa:


O Amor é Uma Companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais
depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir
vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que
está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as
árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que
sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol
com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro

Na música também são constantes as referências ao amor, aos encontros e desencontros que o mesmo proporciona.Ouve porque o amor também se propaga através das notas musicais, que por vezes nos reconfortam na nossa tristeza, nas nossas lembranças e saudades.






Someone Like You

Adele




I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things, I didn't give to you

Old friend
Why are you so shy
It ain't like you to hold back
Or hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

You'd know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised in a summery haze
Bound by the surprise of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over yet

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

Nothing compares, no worries or cares
Regrets and mistakes they're memories made
Who would have known how bitter-sweet this would taste

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah, yeah

sábado, 2 de julho de 2011

“Adaptar é uma tarefa assustadora para qualquer artista. Transpor uma obra artística para outra é algo ainda pior.”
Quintana

São muito oportunas estas palavras, a propósito precisamente de uma adaptação que os alunos do 9ºD fizeram do “Auto da Barca do Inferno” , peça escrita em verso, mas transporta para a actualidade dando lugar ao “Auto do século XXI”.
O elenco integra colaboradores deste blog, que já deram provas na área da poesia e agora também noutra vertente artística.
Neste momento em que estão prestes a deixar a nossa escola aqui ficam alguns poemas que lhes dedicamos com muito carinho, em troca do brilhante espectáculo que nos proporcionaram.


Os Actores

Vêm de dentro repelidos
Conforme o seu destino a sua cor varia
pois escolhem a base de acordo com
a luz que o rosto cria

A frente da cortina
Enfrentam o vazio
que lhes dava guarida
Em sepulcros abrigam as faces atingidas

No palco deambulam como num
tempo estreito entre duas crateras
a que na sua frente lhes recolhe os soluços
e o nada donde vieram.

Gastão Cruz


A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

Charles Chaplin


Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" para ser insignificante.


Augusto Branco

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

Fernando Sabino

Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra! Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós. Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso.

Charles Chaplin


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

27 de Janeiro: Dia Internacional de Memória do Holocausto

Primeiro levaram os judeus,
Mas não falei, por não ser judeu.
Depois, perseguiram os comunistas,
Nada disse então, por não ser comunista,
Em seguida, castigaram os sindicalistas
Decidi não falar, porque não sou sindicalista.
Mais tarde, foi a vez dos católicos,
Também me calei, por ser protestante.
Então, um dia, vieram buscar-me.
Mas, por essa altura, já não restava nenhuma voz,
Que, em meu nome, se fizesse ouvir.

[Poema de Martin Niemoller]

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Doce Amargo do Café

"O açúcar


O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.

Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem
aos vinte e sete anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema."


Ferreira Gullar (1930)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Comemorações do Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social

"Acorda Portugal!
Repara na pobreza,
não finjam que não faz mal
porque isso é uma tristeza.

Mexe-te Portugal!
Combatam a pobreza.
Ponham um ponto final.
Quero ter orgulho em ser Portuguesa."

Fátima F. (12 anos)

Poema lido na Escola, no âmbito do Ano Europeu de 2010

quinta-feira, 22 de abril de 2010

PARA QUE NÃO ESQUEÇAS ABRIL

Todos os anos têm um mês de Abril e todos os meses de Abril têm um dia 25. Porém, o dia 25 de Abril de 1974 foi um dia especial para os Portugueses. Porquê? Porque o País e os seus habitantes voltaram a viver em liberdade, depois de quase cinquenta anos de trsiteza e de silêncio.
in O 25 de Abril contado às crianças... e aos outros de José Jorge Letria

Esta semana celebrou-se na nossa escola a Semana da Leitura, tendo como tema " ler em liberdade"; para acompanhar esta celebração aqui ficam alguns poemas alusivos a este assunto. Usa a tua liberdade para ler e escrever!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Dia da Poesia

É no dia 21 de Março que se celebra o Dia da Poesia,a Natureza juntou-se a este grandioso evento com a celebração do Dia da Árvore e o início da Primavera.
Nós quisemos assinalá-lo com as "coloridas" palavras de Almada Negreiros e com dois grandes poemas musicados :um eterno clássico de Florbela Espanca "Ser Poeta", cantado pelos Trovante e "Chamar a Música", poema de Rosa Lobato Faria ( a quem prestamos a nossa homenagem, uma vez que nos deixou há pouco tempo ainda), cantado por Sara Tavares.
Não podíamos deixar de divulgar alguns dos inúmeros poemas expostos, durante esta semana na Biblioteca,cujos autores são os nossos pequenos poetas. Apreciem e deliciem-se porque vai valer a pena...


Porque o poeta não tem nunca nada a dizer que seja imediato. Não é
imediato porque é para sempre, para qualquer momento em que o ouçam, para todo o instante em que o escutem.
Ao perder para sempre todo o sentido do imediato ganhou o título de príncipe para sempre. Mais do que os príncipes de sangue hereditário que fazem suceder o mesmo título através de várias gerações de vários indivíduos, o poeta guarda no seu nome pessoal o título de príncipe até ao fim do mundo.



José de Almada Negreiros

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CARNAVAL

"Três dias de excessos que servem para despedir o Inverno e entrar na Quaresma".

"Formas tradicionais de intervenção popular que pela utilização de efeitos cénicos satirizam e criticam a vida local".

Costa, Soledadde Martinho & Barros, Jorge
Festas e Tradições Portuguesas: Fevereiro, Lisboa, Círculo de Leitores 2002.


Este livro faz parte de uma colecção que pertence à Biblioteca da Escola.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tema da Semana: Conferência de Copenhaga - Poesia para enfrentar os problemas do mundo real

“A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2009, também chamada Conferência de Copenhague ou Cimeira de Copenhaga (oficialmente United Nations Climate Change Conference ou COP15) irá realizar-se entre os dias 7 e 18 de dezembro de 2009, em Copenhaga, Dinamarca. Esta cimeira, organizada pelas Nações Unidas, pretende reunir os lideres mundiais para discutir como reagir às mudanças climáticas actuais. É a 15ª conferência realizada pela UNCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima).” Informações colhidas em Wikipédia
Sobre este tema tão importante para a nossa sobrevivência (e qualidade de vida) do qual nenhum de nós pode ficar alheado, gostávamos de partilhar com todos os que passam por aqui as palavras da canção Espelho de Água, de Paulo Gonzo.
Esta canção foi a «banda sonora» de uma das últimas campanhas da EDP dirigidas ao público em geral e protagonista de um concerto debaixo de água.
Se analisarmos as sua palavras, compreendemos que a mensagem do poeta-cantor se dirige a todos nós, nos pequenos gestos diários.
Vale a pena ver o vídeo, que também aqui disponibilizamos.
Esperamos que, nesta época de Natal, Fim de Ano e balanços de comportamentos, um dos votos para o ano de 2010, seja que cada um de nós se lembre de todos nós nos pequenos gestos diários, como escreveu e cantou o poeta.

"Espelho de Água – Paulo Gonzo
Olhos bem abertos, percorro a paisagem
E guardo o que vejo, para sempre, uma clara imagem
Um manto imenso de água, um pingo move o mundo,
Corrente forte exacta, de um azul quase profundo,

Um sopro de ar, faz girar, o mundo melhor,
Raio de sol, luz maior, para partilhar,
O espelho nunca mente, fiel como ninguém,
Faz da vida, paixão energia, que toca sempre mais
alguém,

Refrão

Vai, espelho de água, trata e guarda, o que é nosso afinal,
Em nós, vive a arte, de ser parte, de um mundo melhor,
Eu sei, que gestos banais, parecem pouco, mas talvez sejam fundamentais,

Vai, espelho de água, trata e guarda, o que é nosso afinal,

Em nós, vive a arte, de ser parte, de um mundo melhor,
Vai, espelho de água, trata e guarda, o que é nosso
afinal,
Em nós, vive a arte, de ser parte, de um mundo melhor, vai."