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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

António Gedeão - Poeta do mês de outubro

Como cientista e humanista António Gedeão criou poemas para nos falar da falta de sentido dos preconceitos.
Na sua linguagem de cientista prova-nos "no laboratório" que o racismo não tem qualquer sentido.
Do belo poema outros fizeram canções.

Aqui ficam as palavras escritas
(recolhidas em https://poemasdomundo.wordpress.com/2006/11/04/lagrima-de-preta/)
e cantadas por Adriano Correia de Oliveira,
num vídeo recolhido no youtube.

Aqui fica, sobretudo, um tema para refletir.

Lágrima de Preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterlizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Madei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
António Gedeão (1906-1997)


terça-feira, 15 de maio de 2012

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Eu não sei quem te perdeu

Por sugestão da Inês Marques, aqui apresentamos o poema de Pedro Abrunhosa, com o link para observar as maravilhosas imagens ao som do poema musicado. Obrigada pela sugestão! Esperamos que seja um exemplo a seguir!

Quando veio,
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
"Não partas nunca mais".

E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.

E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.

Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.

E partiu,
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.

E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.

http://www.youtube.com/watch?v=6WpsFVkmS9s

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Palavras de Amor


"Palavras, leva-as o vento," mas nem sempre o vento é mau. Os "ventos de mudança", por exemplo, podem, em certos casos, ser aproveitados a nosso favor.
Foi o que nós, aqui na poesia, pensámos.
Dia de S. Valentim? Dia dos Namorados? O Amor sempre esteve associado a palavras: as famosas "Palavras de Amor". Que bela ocasião para pôr os apaixonados a ler!
E então, disfarçadamente, fizemos "papel de boazinhas" e oferecemos poemas e frases de amor - feitinhas, bonitas e já aplicadas - para quem quisesse declarar-se. Publicitámos a iniciativa e ficámos à espera...
Não foi preciso esperar muito. Os jovens aderiram muito bem, podendo esconder-se no anonimato, preencheram os nossos formulários e lançaram os dados do amor nas palavras de escritores consagrados.
As inscrições excederam as expectativas e foram entregues mais de duas centenas de poemas a alunos, professores e funcionários, escolhidos em nome de S.Valentim.
Foi assim um dia de afectos, de amizade e amor, de frases feitas, colhidas pelos alunos na biblioteca da escola, fruto de uma escolha (primeiro nossa, depois deles) que se fez - sem dúvida - de leitura, pensamento e ponderação de palavras.
E que felizes ficarão os que receberam tal presente! De palavras feito.



Vem no fim da noite sem avisar
Dança no silêncio do teu olhar
A chamar por mim, a chamar por mim
Chega com a brisa que vem do mar
Brinca no meu corpo a desinquietar
Como um arlequim, como um arlequim
Chega quando quer e não quer saber
Nem do mal que fez ou que vai fazer
É um tanto faz crer ou não crer
Chega assim
Cavaleiro andante, louco e triunfante
Como um salteador
P'ra no fim
Nos deixar a contas
Com as palavras tontas
Que dissemos por amor..
E eu que jurei nunca mais cair
Nestes teus ardis nunca mais seguir
Esse teu olhar, esse teu olhar
De nada nos vale tentar fugir
Para quê negar ou sequer fugir
Desse mal de amar, Desse mal de amar
Chega quando quer e não quer saber
Nem do mal que fez ou que vai fazer
É um tanto faz crer ou não crer
Chega assim
Cavaleiro Andante
Louco e triunfante
Como um salteador
Para no fim nos deixar a contas
Com as palavras tontas que dissemos por amor..

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009